Havia uma aranha pequenina, tecendo
cuidadosa e quase que artisticamente sua teia. Me fez pensar que talvez sejamos
como ela, tecendo pequenos fios, fazendo ligações entre os mesmos, pois é
inevitável que as linhas se cruzem. Cada pequeno filamento representa parte de
nós, de nossas vivências, medos, desejos, amores, tudo o que nos torna o que
somos.
Esta pequena e frágil construção
consiste não apenas em sua essência verdadeira, mas também em sua aparência, o
que representa. E esta está constantemente sujeita ao tempo, seja cronológico
ou climatológico, por vezes partes são destruídas, e nos cabe apenas força para
restaurar o estrago, é certo que por vezes o fio que se parte é aquele que
sustentava toda a complexidade da obra. E de forma incrível as frágeis aranhas
reúnem forças para recomeçar mais uma vez, sabendo bem do risco de reincidência
desta queda dolorosa, mas ela também as torna cada vez mais fortes e
experientes.
A cada vez a teia torna-se mais
espessa e complexa, de forma que para qualquer um, mesmo suas autoras este
emaranhado torna-se mais perigoso à medida que se adentra no mesmo, pois o seu
centro apesar de apresentar-se de forma bela e ordenada esconde um caos que nem
mesmo as pequenas tecelãs poderiam supor. Uma vez no centro, estaremos presos a
ele, nos vendo obrigados a resistir firmes no olho do furacão, não importando o
quão difícil esta tarefa seja. Restabelecendo as ligações, a fim de manter o
sustento e o equilíbrio.
O fato é que, somos tão pequenos
quanto estas aranhas e suas teias, pois mal temos consciência de que existe
algo muito maior do que tudo isto, e não temos controle sobre coisa alguma, nem
de nós mesmos ou de nossas teias... Sequer temos o direito de desejar tal controle
e segurança, afinal a beleza da trama está exatamente na forma inexplicável e
ímpar com que se mantém e é constituída.