31.8.11

Teias.

            Havia uma aranha pequenina, tecendo cuidadosa e quase que artisticamente sua teia. Me fez pensar que talvez sejamos como ela, tecendo pequenos fios, fazendo ligações entre os mesmos, pois é inevitável que as linhas se cruzem. Cada pequeno filamento representa parte de nós, de nossas vivências, medos, desejos, amores, tudo o que nos torna o que somos.
            Esta pequena e frágil construção consiste não apenas em sua essência verdadeira, mas também em sua aparência, o que representa. E esta está constantemente sujeita ao tempo, seja cronológico ou climatológico, por vezes partes são destruídas, e nos cabe apenas força para restaurar o estrago, é certo que por vezes o fio que se parte é aquele que sustentava toda a complexidade da obra. E de forma incrível as frágeis aranhas reúnem forças para recomeçar mais uma vez, sabendo bem do risco de reincidência desta queda dolorosa, mas ela também as torna cada vez mais fortes e experientes.
            A cada vez a teia torna-se mais espessa e complexa, de forma que para qualquer um, mesmo suas autoras este emaranhado torna-se mais perigoso à medida que se adentra no mesmo, pois o seu centro apesar de apresentar-se de forma bela e ordenada esconde um caos que nem mesmo as pequenas tecelãs poderiam supor. Uma vez no centro, estaremos presos a ele, nos vendo obrigados a resistir firmes no olho do furacão, não importando o quão difícil esta tarefa seja. Restabelecendo as ligações, a fim de manter o sustento e o equilíbrio.
            O fato é que, somos tão pequenos quanto estas aranhas e suas teias, pois mal temos consciência de que existe algo muito maior do que tudo isto, e não temos controle sobre coisa alguma, nem de nós mesmos ou de nossas teias... Sequer temos o direito de desejar tal controle e segurança, afinal a beleza da trama está exatamente na forma inexplicável e ímpar com que se mantém e é constituída.