19.3.11

Twilight



            Sentiu o entardecer dentro de si, saiu e pode vislumbrar o sol a lhe dizer o último adeus através de um raio tímido, as sombras surgindo, abraçando-a, envolvendo-a em um abraço obscuro, o vento frio entrecortado. O céu em um degrade à escurecer, as primeiras estrelas surgiam como mágica, num manto acompanhando a majestosa lua, envolvendo toda a cidade, os sonhos e desejos ali presentes.
            Olhou para o horizonte, as primeiras luzes a se acender eram como pequenas estrelas caídas. Fitou a lua, fechou seus olhos e sentiu que naquele momento era, sem mais. Existia uma magia inexplicável em tudo aquilo, esqueceu de si mesma ali, imersa em um transe até que seu corpo não pudesse mais suportar o frio da noite, voltou para dentro, e sentia-se retornando a terra aos poucos, despedindo-se lentamente de sua amiga que brilhava solitária na escuridão profunda. Uma olhada rápida no relógio: três horas, sequer percebeu o tempo que transcorrera.  Um último vislumbre da janela, deitou e as sombras, velhas amigas, vieram envolver-lhe, agora em um abraço quente e acolhedor, adormeceu assim lentamente.

17.3.11

Just on the Road.



            Ela reconhecia aquele percurso, o fizera por tantas vezes que sequer poderia enumerar. Era o caminho de casa, não um lar físico, mas afetivo, interno. Sentiu como se pudesse flutuar sob a estrada e a qualquer instante, sua alma exigiria  descansar os pés descalços no asfalto agora resfriado pela neblina, as luzes a guiariam ao seu destino, qualquer que fosse; não que precisasse de alguma iluminação o coração conhecia tão bem o trajeto. E quando deu por si, encontrava-se em outras estradas, rumando a lugares distintos, conhecidos pelo corpo, em sua mente, sua alma, seus desejos de percorrer todo o universo. Então o fez, naquela madrugada. Fechava os olhos e sentia o vento em seu rosto molhado pelas lágrimas de euforia e tristeza, emoções trazidas pelas lembranças; do suor pela agitação de voar sobre a auto-estrada, correr e diminuir a velocidade, absorvendo cada momento de tempo daquela experiência. Por fim passou por onde desejara um vida toda, parou e apreciou, sentiu o impacto de toda a jornada, deixou que o cansaço consumisse seu corpo, deitou e amou o céu, sentiu-se parte das constelações que agora abriam espaço para o sol que vinha anunciar o dia, aquecê-la, sentiu-se beijada pelas gotas de orvalho, já não estava deitada no asfalto ou em um dos tantos tortuosos caminhos  de chão daquela noite. Podia sentir a grama, a cor desta a lhe abrigar, estava enfim em casa, fechou os olhos e em um último suspiro, quis reviver o ocorrido. Permitiu-se adormecer, caiu num sono calmo e interminável, eternizou a sensação de liberdade jamais conhecida por outro qualquer.