Naquelas tarde de inverno em que se
perdia dentro de si. Observava as nuvens, e sabia que ninguém no mundo tinha
naquele ou em qualquer outro momento o mesmo ângulo que ela.
Ao mesmo tempo formava também suas
próprias nuvens, pequeninas subiam pela boca, adentravam o seu ser, retiravam
parte dele, depois a deixavam e dissipavam-se com o calor, a vida, o movimento
e o vento – ah, o vento! Levava as pequenas nuvens de fumaça para longe, trazia
as lembranças do passado, do presente e mesmo do futuro, com uma saudade
gostosa ainda que doída.
O sol a cobrir a grama, quase que a
afagar-lhe. Tão sublime aquele momento, quis eternizar e não havia outra forma
que não fosse pintar aquele quadro em sua mente, incluir-se nele, e toda vez
que o rebuscasse poderia reviver aquela sensação, que mais tarde, sabia,
tornar-se-ia também memória, recordação que se dissiparia juntamente a outras
nuvens, outros ventos, outro movimento. Amou aquilo, a vida e sua inconstância,
sua mutação.