5.3.14

Repeat


Tamanha a simplicidade, complicou
De tanto desejo o enjoo
Tão presente que faz ausência
Intenso que produz vazio

Me roubastes tantas músicas,
E mal sabes que melodia maior é te ouvir sussurar o meu nome
E dizer com desconcerto, assim meio sem-jeito e com todo o charme: “eu te curto”

Se soubesse tremendo esforço que me custou
Negar teu convite pra dormir contigo
De tão grande me cansou a ponto de passar um dia todo na cama
Fechando os olhos e te imaginando ali ao lado…

E se eu passar um café,
Tu repete com olhar pedante: “senta aqui perto”?

Ô nego, ve se entende que quando eu te nego
É pra tu não assustar e fugir,
Pra te fazer persistir e insistir

Aquela música tá repetindo a semana toda
E na cama tem um lugar pra você
Depois de olhar as estrelas, descubro constelações é no teu olhar

Chega mais perto,
Se atreve a me beijar mais uma vez,
Mas dessa vez não carece de pedir licença não

Cabe bem o refrão
“I need you so much closer…”

15.2.14

Window



Mantenho a janela aberta
Dias e noites a fio
Mesmo com o frio que corta e a chuva que cai lá fora
Esperando,
Desejando que alguém olhe para dentro e me veja
Enxergue o que realmente há aqui dentro
Além do superficial…
E mesmo encarando toda a bagunça se atreva
A entrar e ocupar o enorme vazio que preenche tudo a minha volta
Alguém que me faça sentir algo novamente,
Que me mantenha aquecida mesmo com o frio que entra pela janela
Não sei se busco amor
Creio ser algo mais forte e profundo
Trata-se de conexão
Sentir-se ligada à algo ou alguém
Encontrar algum sentido em meio ao caos
Despertar do torpor que consome, enebria tudo

24.3.13

it's over



O que é o fim?
Por quanto tempo uma pessoa pode caminhar para o precipício sem perceber? Meu Deus!
Fico a me questionar quantos passos já gastamos e quantos ainda tem até a beira do nada, até cairmos no looping infinito do não ser...  O quanto de uma história é necessário para se inscrever no peito de alguém?
Quantos passos constituem algo como uma história?
Quantos questionamentos, tamanho aperto no peito!
Chegamos ao fim?
Cheguei eu mesma ao fim de quem posso ser?
O Relógio andando impiedoso, as horas, dias, meses e anos passando enquanto caminhamos, caminhamos... Para onde?!
Por vezes acho que caí há algum tempo em um precipício de incertezas, de não saber o que... E este turbilhão não permite que me movimente.
De que me adianta movimentar-me? Seria apenas correr para outros precipícios... Expor-me em palavras, baixando a guarda para quem quer que seja, para os desconhecidos próximos, estranhos do cotidiano. E que é que isso resolve afinal?
De quantos passos somos nós constituídos meu bem? Ah, sou ainda o seu bem, o bem de alguém?
Vejo o tempo passar, as estações e meu corpo imóvel, minha alma congelada... A existência humana é das mais duras sentenças: uma solidão sem fim, conjunta. Viver assim aprisionado no dia a dia, neste corpo que sequer escolhemos... Tamanha crueldade!
Imobilizados e sós com nossos próprios fantasmas, num sem fim de abismos e labirintos, até a última queda.



30.3.12

Perfect Strangers

            E em um destes dias e trajetos quaisquer deparou-se com questões, quase como se o orvalho e a manhã os tivessem trazido, ou ainda só fossem passíveis deste tal “toque” atencioso de consciência naquele estado de espírito, com a luminosidade apropriada, entre o claro e o escuro; o respondido e o imaginável apenas...
            Esta energia que move a todos, animas e seres humanos, seres vivos em geral. O que é, de onde vem, afinal? Que parte disto estava presente em si agora? Uma estranha sensação tomou toda sua consciência e corpo, imagens de semi-desconhecidos, passando por sua mente. Ela bem sabia que era uma reprise de memórias, de pessoas que cruzaram seu caminho sem interferir no mesmo, será que realmente não haviam interferido, ou sua pretensão não permitira que percebesse tal interferência antes? Na verdade, percebera sim, pois sabia bem de seu estranho costume de olhar atentamente, até com certo carinho a todos estes estranhos, cada vez mais conhecidos... Tentar ler-lhes a expressão facial e corporal. Para onde estariam indo, tinham pressa? Como fora ou seria seu dia? Fora bom como o por eles esperado? Haveria alguém a lhes esperar? O que aquele semblante forçadamente neutro poderia dizer-lhe? Estariam felizes, tristes, preocupados? Será que pensavam em algo, apreciavam o caminho? Reparavam na paisagem, gostariam dela?
            Quão triste não reparar em um trajeto percorrido todos os dias... Seria ele percorrido todos os dias mesmo? Ao pensar na possibilidade de não haver alguém para esperar aquelas pessoas, abraçar-lhes e se importar com elas, sentia vontade de estar lá, para cada uma ao final do dia.
            E se elas não voltassem, se não chegassem onde pretendiam? Se adormecessem embriagadas, felizes, em meio a lágrimas? Quem se importaria? E deveria ela importar-se ou estaria sendo invasiva? Talvez devesse mesmo cuidar da própria vida, mas estas pessoas faziam parte de sua vida! Afinal não é necessário que exista interação entre elas para tal, poderia ser uma destas a pessoa que planta as frutas que compra no mercado, ou a mãe daquela atendente sorridente e simpática.
             Eram também assunto dela, e de todos. Sentiu vontade de gritar à todos os demais: Acordem! Se importem, prestem atenção, VIVAM! 
            Era indescritível a sensação de dor causada pela percepção do quão mecanicamente todos agiam, que ela mesma agira assim por tanto tempo. Sentia-se finalmente desperta de um transe doentio, podia ver, ouvir e sentir mais claramente. O cheiro da manhã fresca acalmando-lhe.
            “Que se estive dormindo por tanto tempo e despertei, cada qual deve ter também seu tempo de despertar, e deve acontecer naturalmente. Certo? Certo!”
            Prosseguiu então atenta agora à algo a mais nos rostos: Estaria você acordando como eu?
Quem seriam afinal os estranhos e quem seriam os conhecidos? 

19.3.12

Visitor


            É que às vezes vem assim sem avisar data de chegada ou partida, invade e não deixa espaço pra mais nada. Resta aproveitar, exprimir cada momento grato e rico que traz consigo. 
 Vem assim, colorir mais a paisagem, ampliar o olhar, transformar cheiros, sons e tudo que está à sua volta, nossa volta. E digo nossa porque me recuso a deixar que ela passe assim por mim sem ser notada e apreciada como deve. 
            Quando me deixa, resta esperar que regresse e esforçar-me para tal. Ou será que sou eu que a deixo de lado, não a percebo ali soterrada pelo cotidiano esforçando-se para emergir novamente? Seja como for, venha sempre assim meu bem, e traga toda essa coisa mágica que trazes em todos os nosso encontros, porque és sem dúvida alguma das mais belas coisas da vida de um ser humano. 
             Aquecer o coração, trazer calma e paz... sorrisos bobos e sem razão evidente, como se tua chegada e presença ainda que curta não fosse motivo suficiente. Riamos destes tolos que não te sabem valorizar, e dos que te expulsam a todo custo, juntinhas assim, Felicidade.

31.8.11

Teias.

            Havia uma aranha pequenina, tecendo cuidadosa e quase que artisticamente sua teia. Me fez pensar que talvez sejamos como ela, tecendo pequenos fios, fazendo ligações entre os mesmos, pois é inevitável que as linhas se cruzem. Cada pequeno filamento representa parte de nós, de nossas vivências, medos, desejos, amores, tudo o que nos torna o que somos.
            Esta pequena e frágil construção consiste não apenas em sua essência verdadeira, mas também em sua aparência, o que representa. E esta está constantemente sujeita ao tempo, seja cronológico ou climatológico, por vezes partes são destruídas, e nos cabe apenas força para restaurar o estrago, é certo que por vezes o fio que se parte é aquele que sustentava toda a complexidade da obra. E de forma incrível as frágeis aranhas reúnem forças para recomeçar mais uma vez, sabendo bem do risco de reincidência desta queda dolorosa, mas ela também as torna cada vez mais fortes e experientes.
            A cada vez a teia torna-se mais espessa e complexa, de forma que para qualquer um, mesmo suas autoras este emaranhado torna-se mais perigoso à medida que se adentra no mesmo, pois o seu centro apesar de apresentar-se de forma bela e ordenada esconde um caos que nem mesmo as pequenas tecelãs poderiam supor. Uma vez no centro, estaremos presos a ele, nos vendo obrigados a resistir firmes no olho do furacão, não importando o quão difícil esta tarefa seja. Restabelecendo as ligações, a fim de manter o sustento e o equilíbrio.
            O fato é que, somos tão pequenos quanto estas aranhas e suas teias, pois mal temos consciência de que existe algo muito maior do que tudo isto, e não temos controle sobre coisa alguma, nem de nós mesmos ou de nossas teias... Sequer temos o direito de desejar tal controle e segurança, afinal a beleza da trama está exatamente na forma inexplicável e ímpar com que se mantém e é constituída.