30.3.12

Perfect Strangers

            E em um destes dias e trajetos quaisquer deparou-se com questões, quase como se o orvalho e a manhã os tivessem trazido, ou ainda só fossem passíveis deste tal “toque” atencioso de consciência naquele estado de espírito, com a luminosidade apropriada, entre o claro e o escuro; o respondido e o imaginável apenas...
            Esta energia que move a todos, animas e seres humanos, seres vivos em geral. O que é, de onde vem, afinal? Que parte disto estava presente em si agora? Uma estranha sensação tomou toda sua consciência e corpo, imagens de semi-desconhecidos, passando por sua mente. Ela bem sabia que era uma reprise de memórias, de pessoas que cruzaram seu caminho sem interferir no mesmo, será que realmente não haviam interferido, ou sua pretensão não permitira que percebesse tal interferência antes? Na verdade, percebera sim, pois sabia bem de seu estranho costume de olhar atentamente, até com certo carinho a todos estes estranhos, cada vez mais conhecidos... Tentar ler-lhes a expressão facial e corporal. Para onde estariam indo, tinham pressa? Como fora ou seria seu dia? Fora bom como o por eles esperado? Haveria alguém a lhes esperar? O que aquele semblante forçadamente neutro poderia dizer-lhe? Estariam felizes, tristes, preocupados? Será que pensavam em algo, apreciavam o caminho? Reparavam na paisagem, gostariam dela?
            Quão triste não reparar em um trajeto percorrido todos os dias... Seria ele percorrido todos os dias mesmo? Ao pensar na possibilidade de não haver alguém para esperar aquelas pessoas, abraçar-lhes e se importar com elas, sentia vontade de estar lá, para cada uma ao final do dia.
            E se elas não voltassem, se não chegassem onde pretendiam? Se adormecessem embriagadas, felizes, em meio a lágrimas? Quem se importaria? E deveria ela importar-se ou estaria sendo invasiva? Talvez devesse mesmo cuidar da própria vida, mas estas pessoas faziam parte de sua vida! Afinal não é necessário que exista interação entre elas para tal, poderia ser uma destas a pessoa que planta as frutas que compra no mercado, ou a mãe daquela atendente sorridente e simpática.
             Eram também assunto dela, e de todos. Sentiu vontade de gritar à todos os demais: Acordem! Se importem, prestem atenção, VIVAM! 
            Era indescritível a sensação de dor causada pela percepção do quão mecanicamente todos agiam, que ela mesma agira assim por tanto tempo. Sentia-se finalmente desperta de um transe doentio, podia ver, ouvir e sentir mais claramente. O cheiro da manhã fresca acalmando-lhe.
            “Que se estive dormindo por tanto tempo e despertei, cada qual deve ter também seu tempo de despertar, e deve acontecer naturalmente. Certo? Certo!”
            Prosseguiu então atenta agora à algo a mais nos rostos: Estaria você acordando como eu?
Quem seriam afinal os estranhos e quem seriam os conhecidos? 

19.3.12

Visitor


            É que às vezes vem assim sem avisar data de chegada ou partida, invade e não deixa espaço pra mais nada. Resta aproveitar, exprimir cada momento grato e rico que traz consigo. 
 Vem assim, colorir mais a paisagem, ampliar o olhar, transformar cheiros, sons e tudo que está à sua volta, nossa volta. E digo nossa porque me recuso a deixar que ela passe assim por mim sem ser notada e apreciada como deve. 
            Quando me deixa, resta esperar que regresse e esforçar-me para tal. Ou será que sou eu que a deixo de lado, não a percebo ali soterrada pelo cotidiano esforçando-se para emergir novamente? Seja como for, venha sempre assim meu bem, e traga toda essa coisa mágica que trazes em todos os nosso encontros, porque és sem dúvida alguma das mais belas coisas da vida de um ser humano. 
             Aquecer o coração, trazer calma e paz... sorrisos bobos e sem razão evidente, como se tua chegada e presença ainda que curta não fosse motivo suficiente. Riamos destes tolos que não te sabem valorizar, e dos que te expulsam a todo custo, juntinhas assim, Felicidade.