8.5.11

Clouds.

            Naquelas tarde de inverno em que se perdia dentro de si. Observava as nuvens, e sabia que ninguém no mundo tinha naquele ou em qualquer outro momento o mesmo ângulo que ela.
            Ao mesmo tempo formava também suas próprias nuvens, pequeninas subiam pela boca, adentravam o seu ser, retiravam parte dele, depois a deixavam e dissipavam-se com o calor, a vida, o movimento e o vento – ah, o vento! Levava as pequenas nuvens de fumaça para longe, trazia as lembranças do passado, do presente e mesmo do futuro, com uma saudade gostosa ainda que doída.
            O sol a cobrir a grama, quase que a afagar-lhe. Tão sublime aquele momento, quis eternizar e não havia outra forma que não fosse pintar aquele quadro em sua mente, incluir-se nele, e toda vez que o rebuscasse poderia reviver aquela sensação, que mais tarde, sabia, tornar-se-ia também memória, recordação que se dissiparia juntamente a outras nuvens, outros ventos, outro movimento. Amou aquilo, a vida e sua inconstância, sua mutação.