17.3.11

Just on the Road.



            Ela reconhecia aquele percurso, o fizera por tantas vezes que sequer poderia enumerar. Era o caminho de casa, não um lar físico, mas afetivo, interno. Sentiu como se pudesse flutuar sob a estrada e a qualquer instante, sua alma exigiria  descansar os pés descalços no asfalto agora resfriado pela neblina, as luzes a guiariam ao seu destino, qualquer que fosse; não que precisasse de alguma iluminação o coração conhecia tão bem o trajeto. E quando deu por si, encontrava-se em outras estradas, rumando a lugares distintos, conhecidos pelo corpo, em sua mente, sua alma, seus desejos de percorrer todo o universo. Então o fez, naquela madrugada. Fechava os olhos e sentia o vento em seu rosto molhado pelas lágrimas de euforia e tristeza, emoções trazidas pelas lembranças; do suor pela agitação de voar sobre a auto-estrada, correr e diminuir a velocidade, absorvendo cada momento de tempo daquela experiência. Por fim passou por onde desejara um vida toda, parou e apreciou, sentiu o impacto de toda a jornada, deixou que o cansaço consumisse seu corpo, deitou e amou o céu, sentiu-se parte das constelações que agora abriam espaço para o sol que vinha anunciar o dia, aquecê-la, sentiu-se beijada pelas gotas de orvalho, já não estava deitada no asfalto ou em um dos tantos tortuosos caminhos  de chão daquela noite. Podia sentir a grama, a cor desta a lhe abrigar, estava enfim em casa, fechou os olhos e em um último suspiro, quis reviver o ocorrido. Permitiu-se adormecer, caiu num sono calmo e interminável, eternizou a sensação de liberdade jamais conhecida por outro qualquer.