Sentiu o entardecer dentro de si, saiu e pode
vislumbrar o sol a lhe dizer o último adeus através de um raio tímido, as
sombras surgindo, abraçando-a, envolvendo-a em um abraço obscuro, o vento frio
entrecortado. O céu em um degrade à escurecer, as primeiras estrelas surgiam
como mágica, num manto acompanhando a majestosa lua, envolvendo toda a cidade,
os sonhos e desejos ali presentes.
Olhou
para o horizonte, as primeiras luzes a se acender eram como pequenas estrelas
caídas. Fitou a lua, fechou seus olhos e sentiu que naquele momento era, sem
mais. Existia uma magia inexplicável em tudo aquilo, esqueceu de si mesma ali,
imersa em um transe até que seu corpo não pudesse mais suportar o frio da
noite, voltou para dentro, e sentia-se retornando a terra aos poucos,
despedindo-se lentamente de sua amiga que brilhava solitária na escuridão
profunda. Uma olhada rápida no relógio: três horas, sequer percebeu o tempo que
transcorrera. Um último vislumbre da janela, deitou e as sombras, velhas
amigas, vieram envolver-lhe, agora em um abraço quente e acolhedor, adormeceu
assim lentamente.